Livro revela as decisões secretas do Google

Lançado há pouco tempo pelo escritor Steven Levy, o livro In the Plex (ainda sem título no Brasil) tem, ao revelar detalhes intrigantes do passado do Google, promovido muitas surpresas, principalmente em relação às decisões internas entre os principais executivos de Mountain View, com destaque ao triunvirato Larry Page, Sergey Brin e Eric Schmidt.

Mesmo para quem vive e gosta de acompanhar blogs segmentados – muitas vezes, com conteúdos que mostram os bastidores das empresas -, o livro tem surpreendido com os fatos abordados, principalmente quando o assunto corre pelas tais “lendas virtuas” (também conhecidas como “rumores”) que nunca chegaram a ter um lançamento oficial, mas que acabaram sendo discutidas de forma interna.

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Levy também faz, ao mostrar algumas das obrigações às quais o Google precisou se submeter para receber investimentos externos, revelações únicas sobre as estratégias da gigantes das buscas. Entre elas – e, talvez, a mais importante -, a necessidade de contratar um CEO que pudesse direcionar a empresa e, ao mesmo tempo, auxiliar os co-fundadores através de um modelo de “supervisão”.

Steve Jobs como CEO do Google?

jobs-googleHá 12 anos, em um acordo junto aos investidores de capital de risco para um aporte de 12,5 milhões de doláres, o Google se viu obrigado a substituir Larry Page no comando da empresa, e a contratar um novo executivo que pudesse fornecer uma “supervisão de adulto” aos co-fundadores, ambos, até então, sem grande experiência.

Entre as primeiras escolhas feitas por Page e Brin para comandar a empresa, estavam alguns dos mais conhecidos CEOs do Vale do Silício: Steve Jobs, da Apple, Jeff Bezos, da Amazon, Andy Grove, da Intel e Scott Cook, da Intuit. A visão dos co-fundadores, porém, mostrava uma única escolha em comum: Steve Jobs.

Confrontados por John Doerr, sócio da Kleiner Perkins Caufield & Byers e um dos principais investidores do Google, Brin e Page acabaram persuadidos a contratarem Eric Schmidt para o cargo de CEO em 2001. Apesar das dúvidas iniciais, Schmidt demonstrou que tinha o perfil e visão que a empresa necessitava. Além de ter sido capaz de lidar com a situação pouco confortável em relação à sua contratação, levou o Google a ser a terceira maior companhia de tecnologia do mundo. Em uma entrevista recente, Larry Page classificou a atuação do ex-CEO como “brilhante” na história da empresa.

Embora Steve Jobs não tenha sido contratado pelo Google, o executivo da Apple chegou a observar o potencial da empresa e ofereceu auxílio a Page e Brin, inclusive oferecendo a possibilidade de compartilhar seus conselheiros pessoais.

Steve Jobs escondeu o desenvolvimento do iPad

Além dos bastidores de Mountain View, o livro In The Plex também mostra que Steve Jobs teria escondido o projeto do iPad de Eric Schmidt após uma visita ao escritório de Mountain View, ainda nos tempos em que o ex-CEO do Google era membro da diretoria da Apple.

Jobs teria ficado frustrado ao observar que o Google planejava entrar no mercado de telefonia, enquanto a Apple não tinha planos para invadir o segmento das pesquisas online. Com a competição crescente entre ambas as empresas, Schmidt se viu obrigado a se demitir da Apple seis meses antes do lançamento da primeira versão do iPad.

O resultado desta distância pôde ser conferida no tempo que o Google levou para desenvolver o Android Honeycomb, a versão do sistema operacional móvel para tablets, permitindo que o iPad permanecesse no mercado sem qualquer concorrência e angariando um grande market share para a Apple.

Em entrevista à revista Time, Jobs chegou a declarar que o lema “Don’t Be Evil” (“não seja mau”, em tradução literal) do Google era uma pura “bobagem”, e que não deixaria o Android atrapalhar o sucesso do iPhone.

eric-schmidt

Conflito nas decisões sobre o Google na China

De acordo com o livro de Levy, a decisão de sair da China, foi um dos piores momentos da história do Google. Para Schmidt, a demissão em massa no escritório de Beijing era drástica e causaria um problema na moral interna do Google.

O ex-CEO planejava manter a empresa na China, mesmo após os ataques que resultaram em roubo de propriedade intelectual, mas acabou sendo persuadido por outros membros da diretoria e pelos co-fundadores a reestruturar as estratégias, acarretando em uma série de implicações internas e resultando na volta de Larry Page ao comando da empresa.

Skype e GDrive, duas decisões emblemáticas

Embora tenha sido desenvolvido por mais de ano, o GDrive – um serviço gratuito de hospedagem de arquivos na nuvem – nunca chegou a ser realmente liberado ao público (hoje, o Google Docs assumiu parte de suas funcionalidades). Internamente o projeto era referido com o codenome “Platypus”.

A decisão de não liberar o serviço veio de Sundar Pichai, hoje responsável pelo desenvolvimento do Google Chrome. Para o executivo, o GDrive não estava em linha com as estratégias de computação em nuvem do Google. “Nós não precisamos do GDrive”, disse Pichai em uma reunião com o líder de desenvolvimento do produto, Bradley Horowitz. “Arquivos são tão 1990. Acredito que não precisaremos mais de arquivos”, afirmou.

Horowitz, que ficou paralizado com a decisão, questionou Pichai sobre os motivos que levaram a decisão de encerrar o produto. “Pense sobre isso”, disse Pichai. “Você apenas quer obter informação da nuvem. Quando as pessoas usam o Google Docs, não há mais arquivos. Você consegue editar na nuvem sem qualquer necessidade de obter um arquivo”. Com o desligamento do GDrive, a equipe de desenvolvimento foi direcionada totalmente para o projeto do Google Chrome.

google-platypus

No caso do Skype, o conflito de opiniões era gigantesco. Wesley Chan, gerente de produto que comandou a compra da GrandCentral e o desenvolvimento do Google Voice, era ao mesmo tempo a pessoa mais crítica na possibilidade de compra do comunicador pelo Google. Para matar a compra, Chan desenvolveu um plano infalível:

“Chan enganou o executivo de desenvolvimento de negócios que estava empurrando a aquisição como se ele fosse a favor do acordo: ele mesmo preparou uma apresentação em PowerPoint com todas as razões de que o Google deveria comprar o Skype. No meio da apresentação, porém, a arapuca funcionou”, descreve o livro.

Brin começou a fazer perguntas sobre a aquisição e quem iria comandar a estrutura no novo negócio. Entre os executivos presentes, a compra envolvia grandes riscos regulatórios e poderia demorar meses para conseguir aprovação. Chan, então, deixou a defesa de lado e começou a explicar por que o Google não tinha necessidade de comprar o Skype.

“Sergey se levanta e diz: ‘Esta é a coisa mais estúpida que eu já vi’. Eric Schmidt se levanta e sai da sala. O negócio está fora de questão”, lembra Chan, em entrevista ao livro.

A empresa de 10 bilhões em receitas

Em 1999, ninguém imaginava o tamanho que o Google poderia vir a ter, mas Larry Page já tinha uma ideia assustadora para qualquer investidor. Em uma reunião com John Doerr, aquele mesmo que emprestou milhões e solicitou um CEO experiente para o comando da empresa, Larry revelou que o Google seria uma empresa de 10 bilhões de doláres.

Doerr, que já havia feito uma série de cálculos para estimar o tamanho que o Google poderia vir a ter no futuro – e tinha como resposta uma variação de pouco mais de um 1 bilhão -, foi completamente surpreendido com a afirmação de Page ao declarar que sua ambição não era capitalização de mercado, mas sim em receitas.

Na época, para se ter uma ideia, o Google ainda não havia planejado a criação do AdWords e muito menos o AdSense. Os rendimentos ainda eram baixos, e a incerteza do futuro só não exista na mente de Page.

Você ainda duvida que ele não seja um bom CEO para o Google?

Fonte: Techtudo

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